A primeira edição do GO Lab, laboratório técnico para sinergias entre a GO Porto e parceiros estratégicos, teve lugar nas instalações da empresa municipal na passada quinta-feira, dia 30 de abril. O evento, com tema dedicado aos “Desafios na Construção da mobilidade urbana”, contou com sala cheia entre engenheiros, arquitetos, projetistas, equipas de fiscalização e estudantes do curso do mestrado de arquitetura da Escola Superior Artística do Porto.
Sob a moderação do Eng.º Alves da Silva, coordenador do Gabinete do Espaço Público da GO Porto, o debate iniciou-se com a intervenção do Prof. Álvaro Costa. O académico trouxe para o centro da discussão a premissa de que programar transportes é, essencialmente, criar valor no quotidiano das pessoas. Álvaro Costa alertou que o planeamento deve focar-se na conexão de espaços, destacando abordagens que privilegiam a economia local e a coesão social.
“Planear transportes é planear redes e as redes estão integradas no território, pelo que não se pode planear transportes sem perceber as dinâmicas do território” – rematou Álvaro Costa.
Dando continuidade à tese da humanização, Paula Teles centrou a sua análise na transição da escala urbana para a escala humana. Defensora do conceito de "rua" em detrimento de "via", a especialista sublinhou que o chão da cidade deve ser pensado para o caminhar, permitindo que as crianças voltem a brincar no espaço público e que a população idosa usufrua de acessibilidade plena. Paula Teles apresentou a sua visão de uma "pirâmide invertida" da mobilidade, onde o peão e a biosfera ocupam o topo das prioridades políticas.
A oradora lança o repto de que “trabalhar a mobilidade é trabalhar a saúde pública da cidade. Existe uma relação cada vez maior e mais direta entre a mobilidade e a saúde e trabalhar o espaço público no sentido de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos é vital.”
O olhar sobre o futuro a longo prazo foi partilhado por José Lameiras, sob o mote Porto 2050. O foco incidiu sobre a VCI, descrita como uma "cicatriz" que rasga a cidade e impede o contacto entre bairros.

O arquiteto paisagista afirma que “é possível pegarmos no principal problema que a cidade enfrenta, que é a VCI, e transformá-lo numa grande oportunidade. Ou seja, pegar num sistema que é responsável por grande parte da poluição da cidade e reconvertê-lo numa ótica de desenvolvimento sustentável, preparando desta forma a cidade para os desafios do futuro".
O encerramento deste primeiro encontro coube ao Vereador e Presidente da GO Porto, Hugo Beirão, que reforçou o compromisso da autarquia e da empresa municipal em converter estas reflexões em políticas públicas que melhorem a qualidade de vida no Porto.
“Este tipo de eventos é fundamental para o nosso ecossistema, de forma a construirmos uma visão sólida de cidade de futuro e mais alinhada com os objetivos que temos. Queremos transformar a cidade para que os modos suaves sejam uma realidade, centrando a pirâmide de decisão no peão.” – termina o Vereador.
Este primeiro encontro veio reforçar o papel da GO Porto como um vetor estratégico na concretização de uma visão de cidade preparada para o futuro.