09/06/2026

Maio de 2026 - maio de 2029. Este é o tempo, previsível, que dista do arranque das obras de requalificação e ampliação até à abertura da "nova" Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP). Um projeto que transformará este espaço centenário da cidade num equipamento cultural à altura das exigências do século XXI.

 

Na companhia do autor do projeto, o arquiteto Eduardo Souto Moura, o presidente da Câmara Municipal visitou, esta segunda-feira, o edifício, onde foram apresentados os principais eixos da intervenção, orientada para preservar o legado arquitetónico da biblioteca e adaptá-la às exigências e funcionalidades de um espaço que "foi, é e queremos que continue a ser o Porto".

 

"É uma obra estruturante para a cidade", afirmou Pedro Duarte, lembrando que a empreitada neste "tesouro", que já recebeu o visto do Tribunal de Contas, tem três objetivos: aumentar a escala, requalificar o que existe e abri-lo à cidade. "Queremos salvaguardar a essência patrimonial do convento, mas também puxar a cidade e quem a visita para o livro", declarou.

 

Já despida de livros e de grande parte dos elementos que o sustentam, à exceção de algumas estantes e mobiliário, como os quadros "A Visão da Epopeia", de Acácio Lino, e o retrato de D. Pedro IV, por João Baptista Ribeiro, que vão ser alvo também de restauro, a intervenção contempla a reabilitação do edifício existente, a criação de novas áreas – entre as quais uma cafetaria, uma nova biblioteca sonora e espaços exteriores ajardinados – e a construção de um novo edifício, que irá ampliar a capacidade de depósito da biblioteca. O projeto assegura ainda a preservação integral das fachadas e a herança arquitetónica do antigo Convento de Santo António.

 

Com um investimento a rondar os 34 milhões de euros, esta é a maior obra promovida pela empresa municipal GO Porto nos últimos 25 anos. "Não é um edifício, é um quarteirão, para ser útil à cidade e (...) um fator dinamizador. Esta obra vai mudar a cidade", afirmou Eduardo Souto Moura.

 

Conhecedor profundo do espaço, já que nele trabalhou, pela primeira vez, há 44 anos, e num outro projeto, em 2003 (com as intervenções na Biblioteca Infantojuvenil e no auditório), o arquiteto garantiu que há "muita obra antes da obra", nomeadamente de trabalhos de arqueologia a outras salvaguardas.

 

"Este espaço tem muita história, mas vai ter também muito futuro", assegurou Pedro Duarte, que esteve acompanhado, nesta visita, do vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado, e do vereador da Economia e presidente do conselho de administração da GO Porto, Hugo Beirão Rodrigues.

 

No investimento global está incluído financiamento comunitário, através do programa Norte 2030, mas o presidente da Câmara esclareceu que esta será "a mais volumosa" de todas as obras do Município, que investe a "fatia de leão" do esforço na requalificação e ampliação do espaço cultural, criado em 1842, por decreto régio de D. Pedro IV.

 

Para assegurar o serviço público durante o fecho da Biblioteca Pública foi lançado um plano, com 14 medidas, que visa, precisamente, mitigar os impactos da obra e modernizar a rede de bibliotecas. Elas passam, entre outras, pela criação de um Gabinete de Apoio ao Investigador, desenvolvimento, animação e aceleração da Biblioteca Errante, passando pelos manuscritos e reservados, parte do acervo, coleções especiais e outros fundos, transferidos para o Abrigo dos Pequeninos, a Casa do Infante e a Biblioteca Almeida Garrett.

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