O cenário de abertura do IV Congresso Cidades e Vilas que Caminham, que teve lugar no auditório da Fundação Manuel António da Mota, nos dias 26 e 27 de março, foi de sala cheia. Mais de uma centena de pessoas, várias de pé, vindas de todos os cantos do país e também de Espanha, reuniram-se neste auditório para debater os principais desafios de mobilidade, pedonalização e espaço público.
Com um painel de convidados de excelência, entre os quais oradores espanhóis, a GO Porto fez-se representar pelo Eng. Renato Lourenço, Diretor de Produção e o Eng. Alves da Silva, coordenador do Gabinete de Espaço Público.
Questionada sobre a evolução do Porto na concretização do lema “Caminhar é pertencer”, a Engenheira Paula Teles, Presidente do Instituto Cidades e Vilas com Mobilidade, revela que se nota uma franca evolução das ruas do Porto no sentido de serem devolvidas novamente às pessoas, havendo um resgate dos carros na cidade, processo que considera, contudo, que tem sido feito com bastante tranquilidade.

“Atualmente já existe uma preocupação política muito maior com a acessibilidade, com a mancha verde, mas também com o ciclo da água, transformações que são vitais para que a cidade esteja preparada para os novos desafios, nomeadamente as alterações climáticas.” – afirma a Engenheira, reiterando ainda a postura didática com que a autarquia tem abordado este tema, servindo muitas vezes de motor de aprendizagem para outros municípios.
Num congresso marcado por temas como as alterações climáticas, a resiliência das cidades e a sua capacidade de se adaptarem aos novos desafios urbanos, houve lugar, no primeiro dia, à intervenção de Alves da Silva, que fez uma viagem no tempo às ruas da baixa da cidade, desde que o Porto foi capital europeia da cultura em 2001.
Apaixonado pelo espaço público há mais de 20 anos, Alves da Silva aponta para a profunda transformação no paradigma no que ao Porto diz respeito. Em 2001 a cidade iniciou um processo de profunda transformação do conceito e da forma como se via o espaço público, com uma intervenção em mais de 125.000m2 num total de investimento de 84 milhões de euros.
Alves da Silva afirma que “no fervilhar da cidade do hoje, inserem-se intervenções que pretendem dar continuidade ao processo que se iniciou há 25 anos.” Acrescenta ainda que a reinterpretação atual afirma o peão como centro, a mobilidade suave como objetivo e a fruição do espaço público como essencial para a vivência plena da cidade, até porque, afirma, “o espaço público é o primeiro e mais duradouro edifício da cidade”.

No segundo dia, Renato Lourenço subiu ao palco para falar sobre o Programa Rua Direita, um projeto que se iniciou há 8 anos e que se foca essencialmente em reabilitar ruas e vielas esquecidas da malha fina urbana do Porto.
“Tendo em conta a orografia, a antiguidade da cidade e a exiguidade destas ruas, este projeto torna-se especialmente desafiante mas também é especialmente gratificante por ser inequívoca a melhoria da qualidade de vida aos residentes das zonas intervencionadas” – afirmou o Diretor de Produção da GO Porto. O programa, que representa um investimento de 40 milhões de euros, incide sobre mais de 93 arruamentos e pretende intervir em zonas que não foram modernizadas ao longo do tempo, nas palavras de Renato Lourenço, pretende “trazer zonas esquecidas da cidade desde o séc. XIX até ao séc. XXI, sem passar pelo séc. XX”.

No final do congresso, os projetos por detrás das apresentações foram distinguidos com três prémios, que representam o investimento contínuo da cidade, através da GO Porto, na melhoria da mobilidade e na atualização do Porto para os desafios do séc. XXI.