26/03/2025

No ano em que a GO Porto comemora o seu 25º aniversário, assinalámos o Dia Internacional da Mulher com ‘Elas’. Elas, são seis mulheres com formações e percursos distintos, mas com algo em comum. Ocupam, ou já ocuparam um lugar no Conselho de Administração da GO Porto.

 

 

Tudo começou num tempo em que a empresa tinha outro nome, uma dimensão bem mais reduzida e uma conjuntura completamente diferente. Ao longo dos últimos 25 anos, estas mulheres ajudaram a construir os alicerces da empresa, enfrentaram desafios complexos, resolveram problemas e acompanharam obras a perder de vista.

 

Foi a partir das suas memórias que, no passado dia 21 de março, se realizou a mesa-redonda “Elas são obra!”, no Edifício São Dinis, sede da GO Porto. O encontro promoveu uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro da empresa municipal, fundada no ano 2000 sob a designação GOP.

 

A conversa reuniu Margarida Fernandes, Alzira Torres, Cristina Pimentel, Catarina Araújo e Cátia Meirinhos, numa conversa moderada por Francisca Carneiro Fernandes, Vogal do Conselho de Administração da GO Porto. A sessão arrancou com uma questão essencial: “Ainda faz sentido assinalar o Dia da Mulher?”. As respostas foram praticamente unânimes.

 

 

Cátia Meirinhos destacou a importância da data para “nos fazer refletir um bocadinho, porque nos dias de hoje, sim, ainda existe discriminação”. Margarida Fonseca trouxe uma visão mais abrangente, lembrando que “noutras partes do mundo, os direitos das mulheres não são reconhecidos. Eu não sinto isso na pele, mas podia estar a viver uma realidade completamente diferente”.

 

Catarina Araújo, atualmente Vereadora da Câmara Municipal do Porto, sublinhou que sempre viveu em liberdade, mas alertou: “As mulheres não podem dar nada por garantido, não podem demitir-se das suas funções e responsabilidades”. Cristina Pimentel falou sobre as “barreiras invisíveis”, frisando que, apesar de subtis, “elas continuam a existir”.

 

Já Alzira Torres, apresentou-se como uma mulher “lutadora e com mau feitio”, acrescentando: “Às vezes, é necessário. Na minha área [Engenharia Civil], ainda se lida com muitos preconceitos”.

 

Questionadas sobre os desafios que já enfrentaram, e continuam a enfrentar - enquanto mulheres que em cargos de liderança, Alzira Torres destacou a necessidade de gerir situações limite que exigem soluções rápidas e eficazes. Recordou, a propósito, a experiência na GOP, em que foi necessário redefinir prioridades e direcionar o foco para intervenções de menor escala, sem descurar as grandes empreitadas. “As migalhas também são pão!”, lembrou.

 

Margarida Fonseca, que integrou a GOP desde o primeiro dia, até 2005, entende que “quando se está num cargo de chefia, há algo que é necessário, que é o querer”. A ex-administradora da GOP salientou, ainda, a importância “de nos rodearmos das pessoas certas”, porque o grande desafio das organizações, são os seus recursos humanos” e a necessidade de atender ao seu bem-estar, “quando contratamos uma pessoa, contratamos a sua envolvente, não basta estar bem dentro da empresa”.

 

 

Cristina Pimentel acrescenta outro desafio relacionado com a performance das equipas de trabalho, a motivação, e revelou a estratégia que o alimenta. “Como transmitir paixão e vontade de abraçar projetos. A missão e a visão é o que move as pessoas. Gerir expectativas de acordo com as vontades, ouvir muito e com muita empatia.

 

A paridade foi o sublinhado de Catarina Araújo. A Vereadora, que foi Presidente do Conselho de Administração da GO Porto entre 2017 e 2021, não tem dúvidas da importância de assegurar equipas mistas, “homens e mulheres têm sensibilidades e formas de estar diferentes. Abdicar disto não faz sentido”.  A par disto, é fundamental, “a empatia, a curiosidade pelo outro, porque é isso que nos inquieta”.

 

Os desafios, num cargo de liderança, são infindáveis. É com esta visão que Cátia Meirinhos resume o seu percurso na GO Porto, onde “todos os dias acontece alguma coisa. É preciso andar sempre, sempre, sempre em cima do acontecimento. Isto é um rebuliço constante, pela positiva”.

 

Ao longo dos 25 anos de vida da GO Porto foram muitas as conquistas alcançadas, que proporcionaram momentos inesquecíveis. Cátia Meirinhos aponta, facilmente, o ponto alto do seu percurso, a conclusão das obras no Mercado do Bolhão. Depois de quatro anos de projeto e mais quatro de empreitada, o dia em que as portas reabriram foi de “lágrimas e muita emoção. Nos 12 anos em que ocupou o cargo de administradora executiva, entre 2013 e 2025, a GO Porto revelou-se, ainda, um projeto que soube “crescer de forma exponencial”.

 

A conquista que mais rapidamente reaviva a memória de Cristina Pimentel está relacionada, também, com o Mercado do Bolhão. Foi a sua assinatura, enquanto Presidente do CA da GO Porto (cargo exercido entre novembro de 2013 e dezembro 2016) que formalizou o lançamento do concurso público para a obra no emblemático espaço da cidade. “Sei onde estava, com quem estava e onde estava sentada cada pessoa”.

 

Margarida Fonseca recorda os anos pré-Euro2004, em que a GO Porto teve a seu cargo as obras de melhoria de criação de novas acessibilidades. “Eram obras mal-amadas”. No presente, Catarina Araújo olha a empresa como um projeto “consolidado e bem posicionado, onde as conquistas são coletivas”.

 

Alzira Torres não tem dúvidas que a sua maior conquista foi o percurso ascendente, “comecei como gestora de empreendimento”. Quanto a uma obra simbólica, não particulariza, porque “cada obra era uma conquista. Não há nenhuma que seja pacífica”, rematou.

 

O Porto mudou, e muito, nos últimos 25 anos. A cidade tem novos espaços, novos edifícios e arruamentos novos ou renovados. Todas essas alterações foram validadas por uma destas seis mulheres. As mulheres da GO Porto são obra!

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